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XVIII Encontro Brasileiro do Campo Freudiano - O SINTOMA NA CLÍNICA DO DELÍRIO GENERALIZADO

XVIII Encontro Brasileiro do Campo Freudiano


O sintoma na clínica do delírio generalizado


“Diante do louco, diante do delirante, não se esqueça de que você é ou você foi analisante, e que você também falava do que não existe.”
Jacques-Alain Miller


“O sintoma na clínica do delírio generalizado” é o título do XVIII Encontro Brasileiro do Campo Freudiano, que acontecerá em São Paulo, nos dias 19, 20 e 21 de novembro de 2010. Esse Encontro se inscreve na série de um trabalho profícuo que vem sendo desenvolvido em todo o Campo Freudiano e na Associação Mundial de Psicanálise, no qual o sintoma é o ponto nodal da discussão.

Desde Freud, o delírio é apresentado como uma tentativa de cura, ou seja, uma forma de reparação, de reconstrução da realidade através da linguagem, cuja função é suprir a ausência de uma referência simbólica designada por Lacan como Nome-do-Pai. Assim, diante dessa ausência, ao utilizar os significantes para fazer existir o que não existe, o delírio torna evidente o estatuto ficcional da linguagem. É nesse sentido que, tomando a clínica da psicose como paradigma, a tese de Lacan, retomada por Miller, segundo a qual “todo mundo é louco, isto é, delirante” não só generaliza o aspecto de artifício da linguagem no que diz respeito à abordagem da realidade, como também nos convoca a pensar uma clínica ordenada a partir de uma foraclusão que estrutura a vida de todo ser habitado pela linguagem, de uma referência vazia que, em última instância, Lacan denominou com o aforismo: a relação sexual não existe.

A generalização do delírio quer dizer que a normalidade também é delirante — independente da estrutura clínica, há uma foraclusão que se coloca para todo ser falante e em relação à qual todo discurso é defesa contra o real. Isso não quer dizer que a referência à estrutura clínica possa ser descartada, mas que, no que concerne à experiência analítica, existem outros elementos que podem nos orientar para além da pura presença ou ausência do Nome-do-Pai. Nesse contexto, a referência ao sintoma torna-se fundamental: como situar a função do sintoma tendo em vista a generalização do delírio? Se todo mundo é louco, torna-se interessante então, segundo Miller, estabelecer as diferenças.

O sintoma, em seu cerne, é um modo de gozo, uma satisfação que vem substituir aquela concernente à relação sexual, se ela existisse. A inexistência da relação sexual implica, portanto, que toda construção sintomática se baseia em um momento fundador do sujeito, no qual algo fica de fora, expulso, foracluído de qualquer possibilidade de simbolização. Nesse sentido, o sintoma é uma solução substitutiva, que diz respeito à forma contingente que a inexistência da relação sexual toma para cada um, ou seja, o sintoma é uma maneira singular, única, que cada sujeito inventa para abordar o real, é o que faz a diferença. A experiência analítica visa à extração dessa diferença absoluta que, para além de toda articulação simbólica, de toda ficção a ser construída no decorrer de uma análise, permanece como um resto incurável a partir do qual o sujeito poderá fazer de sua singularidade algo inédito.